quarta-feira, 27 de janeiro de 2016




O AMOR

Às pessoas sagradas ao meu coração.




O amor tem a força de um tufão
 e a doçura de um miosótis.
Alaga o coração,
transpõe barreiras e distância,
transborda escarpas
e inunda o povoado da alma.


O amor é sempre recomeço,
boa vontade, espera e escuta.
Reinventa motivos e significados,
transmuta charcos e brejos
em dália branca perfumosa.


Reescreve uma história inventada
ou genuína.
Risca e apaga lembranças dolorosas.
Ressurge, floresce, aquece e move.


Tela de Cláudio Souza Pinto



O amor sabe todas as línguas,
 dá aulas de paciência;
flexibiliza o corpo, a mente, o coração.
O amor pinta e rabisca com a gente.
Criança e Cupido brinca e arma,
desarma, flecha, medica e cura.
Mas também machuca,
maltrata e escapa
pela janela escura. 
              
     
                                                                  O amor não supõe razão,
                                                             é puro sumo, síntese, correnteza
onde navegamos ou nos perdemos
em seus encantos, em nosso medo.


O amor é feito de açúcar,
de renúncia, de paz, de arritmia,
de olhares cruzados, encharcados
de desejos, sonhos e melodias.




O amor ultrapassa regras e medidas,
veste o tempo
e desnuda-se em poesia.
Brinca de esconde-esconde
num jogo de máscaras e fantasia
ou surge nu, inteiro,
verdadeiro.


O amor rasga, retalha e mutila,
ajunta, emenda, remenda,
costura e borda com arte
sua marca inconfundível.
Ah! O amor...






Celina Rabello – BH, 14 de janeiro de 2016