segunda-feira, 6 de novembro de 2017




SEMENTE




Semente, sobrevivente
na correnteza escura
do rio noturno,
não desisto,
procuro o que não está aqui.




Cerro os olhos da noite,
calo o medo insistente,
destravo a porta da mente
e salto, de paraquedas, nos sonhos.

Entro nas cenas
que crio e recrio -
refúgio e abrigo.
Rumino e germino
da vida perdida,
negada, sonhada,
a semente persistente
que sobe o rio
e busca a nascente
da água corrente,
vital nutriente
da alma da gente. 



  
                         Semente andarilha                            
busco luzes no escuro  
deste rio sagrado
de resposta e armadilha.


Ele guarda as respostas
daquilo que busco:
princípio e sentido
da vida errante,
que começa e finda
na mina espumante
de jorro infinito.



A imagem em ação,
do norte, a estrela,
do afeto, o corrimão.
Chego à fonte do sentido
e broto em significados.





Celina Rabello - BH - 1º de novembro de 2017