quinta-feira, 8 de março de 2012

FAZER  POÉTICO


Na multivalência das palavras
grito
o que habita em cisterna
 profunda.
Água clara, transparente
e viva,
ouro líquido, sentido
e âmago.


 Da nascente, transbordam
palavras-imagens suspensas,
retratos de emoções,
linha da vida,
do tempo
e da mente.


Este caudal interior e corrente,
semente e fruto da fonte  interna,
num ir e vir incessante
 e efêmero,
 desenha questões
 e paradoxos humanos.

 
O silêncio do solilóquio
pensante,
o sentimento privado
 e mudo
gestam o poema impuro
 e novo,
pedra bruta da mina  de letras,
gema e luz da oficina
poética.


Como a aurora, vencedora da noite,
desvenda segredos de amantes,
como tinge, o dia, de luz
a soturna túnica escura,
o poema brota em palavras -
jato de sentimento e memória
e desnuda a alma
vestida.

Fogo e seda se abraçam no éter.
Dia e noite se encontram no céu.
Sentimento e poesia se casam,
barco e vela lançados ao léu.

No atelier do fazer literário
há garimpo na mina de letras,
 bateia peneirando vocábulos,
 lapidação da linguagem poética,
decisão entre o simétrico
 e o assimétrico,
busca pela precisão
 do impreciso.

Poesia, poesia, moça exigente
e determinada:
roupa nova a cada dia,
grife exclusiva e bordada.

Difícil - atender-lhe a demanda.
Alegria - vestir-lhe a nudez.
Desafio - traduzir-lhe a alma.
Prazer - dar-lhe vida outra vez.

Celina Rabello – 05 de Março de 2012










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