domingo, 26 de maio de 2013






IGARAPÉS







Como é bom estar aqui

rodeada de verde,

desta chuvinha pingante,

 ao lado de dois cachorros

que dormem a paz do lugar.



Paira aqui uma certeza

faltante na vida moderna:

tudo está em seu lugar.

Esta mangueira frondosa

só podia estar ali.

A casinha de bonecas
e aquele vaso de flores

ocupam, tão docemente,

o destinado espaço,

que gosto, aprovo, concordo:

tudo está em seu lugar.






Tanta folhagem diversa,

tantos tons e semitons.

Mesmo as nuvens cinzentas

foram todas pinceladas,

arrumadas e matizadas

para o sossego reinante.



Tucanos, em duplas simétricas,

passam em plano de voo

com o objetivo traçado:

colorir o gris deste dia

com passeio geométrico,

em desenho articulado.



Pitangas e laranjeiras,

jabuticaba e limão,

goiabas e bananeiras,

beijinhos, lagos, rolinhas,

conduzem à grande calma,

 silêncio, leitura e oração.





Neblina pede aconchego.

Debruço-me sobre mim mesma

e surge a menina  acanhada,

pensativa, sonhadora,

que desenha horizontes

utópicos, transfigurados.



A tarde passa ligeira,

correndo na contramão

da minha vida de espera,

do meu sonho de descanso

e produção de poemas,

encontros no labirinto,

descobertas, meditação.






Nas brechas do cotidiano

o que busco é o viço,

é a quietude, é a paz

de um lugar como esse,

onde a alma da gente

repousa no coração:

pulsa, respira, e sonha

e voa com a imaginação. 






 Celina Rabello – 28/03/13




Nenhum comentário:

Postar um comentário